A Criança Eterna

Aline Guien como Nuvirah na Noite Eterna dos Contos, Novembro 2024.

A Criança Eterna está conectada aos aspectos atemporais, sem idade e infinitos da vida. Ela é radiante e destemida, buscando a alegria acima de tudo e a qualquer custo. Ela luta por estar presa a um corpo envelhecido com limitações físicas em um mundo que exige atenção aos detalhes e à logística. A Criança Eterna quer abolir todas as regras e responsabilidades e ir além do que os outros dizem ser possível.

A Criança Eterna brilha.

Ela nos lembra do que é possível, do que é mágico nesta vida preciosa.

Este Arquétipo é tão espirituoso que, quando o apetite pela vida não é saciado, buscamos espíritos e substâncias em outros lugares. A Criança Eterna luta contra vícios de todos os tipos.

Assim como a frase "Viva intensamente, morra jovem" e até mesmo artistas a músicos que morreram aos vinte e sete anos são fortemente baseados neste Arquétipo.

No positivo é alegre, brincalhão, aceita tudo, mágico.

No negativo é viciado, egoísta, à deriva, se esgota.

Ela é a parte de nós que anseia pela alegria, que busca a magia acima de tudo e que se recusa a aceitar o mundo como "limitado". Ela é destemida, eternamente conectada ao potencial e à criatividade que jorra da fonte da juventude.
A Criança Eterna nos lembra: a vida é preciosa e mágica. Ela nos convida a abolir as regras que nos aprisionam e a ir além do que o senso comum diz ser possível.
Mas essa busca pela liberdade e pela alegria exige consciência. Quando a vida não nos satisfaz, a sombra da Criança Eterna surge: buscamos pelo “vinho divino” em lugares superficiais e escassos, nos esgotamos em excessos e nos tornamos à deriva. A luta contra o vício e a busca egoísta são, na verdade, um grito desesperado pela alegria genuína.

Este arquétipo surge para nós artistas quando pensamos profundamente sobre nossa alma. Na arte, este arquétipo se mostra como fonte inesgotável de energia, como uma criança que brinca o dia todo sem se cansar, pois no mundo dos sonhos a exaustão não se faz presente, no mundo dos sonhos a criança não tem hora de dormir, não tem hora de tomar banho, não tem hora de fazer o dever de casa, não tem hora para escovar os dentes. No mundo dos sonhos, a criança só brinca, brinca e brinca. Esse é o potencial da alma jovem: não ter limites. Não há limites para a imaginação de uma criança. Não há limites para a criatividade desta mente tão pura que desconhece os desafios, os nãos, os perigos, os riscos, os alertas, até mesmo a lógica. Este arquétipo é uma terra fértil para que os sonhos sejam criados, mas é importante entender que sonhos também precisam ser estruturados, é importante não se perder em ilusões que este arquétipo busca projetar até mesmo com inocência. Afinal, a Criança Eterna ainda é uma criança, não entende muito bem as consequências das coisas que faz, pensa, fala. Em matéria de sonhos, a criança é o potencial puro de imaginação e visualização. Mas em matéria de realização, a criança não se sustenta, não se nutre pois ainda é muito dependente e frágil.

Este arquétipo é um potencial de elaboração de sonhos, vislumbres valiosos, eternas buscas, mas não de ação e muito menos de realização. Uma criança é poderosa no mundo dos sonhos, mas no mundo real ela é frágil e dependente. E é aqui que separamos e colocamos tudo em seu devido lugar: A Criança Eterna indica um momento de contemplação, indica um momento de inspiração, mas não de execução e nem de movimentação desses projetos criativos. Ela é a busca pela magia e não o empreendimento de tais conceitos criados. Ao mesmo tempo em que inspira uma lição grandiosa: Nosso tempo passa, inevitavelmente, nosso corpo se modifica, nossa mente pode demorar para se modificar, mas nossa alma sempre precisará se moldar para existir, mesmo que seus ímpetos sejam intensos.

Quem tem uma “alma jovem” costuma sentir o ímpeto deste arquétipo pulsando mais forte, e sabemos o quão difícil pode ser acalmar uma criança agitada, imagine então tentar sossegar uma alma agitada.

Não tem a ver com domar os desejos, muito menos com entregar-se a todos eles. Tem a ver com buscar um ponto firme entre os extremos, saber dosar esse potencial leve, lúdico e alegre, saber desfrutar de prazeres e satisfazer as vontades sem se perder. Sem se tornar puritano demais, sem reprimir-se demais, sem se prender e sem se perder. É sobre entender que o tempo passa, nosso corpo muda, pode se tornar mais rígido mesmo que nossa alma não acompanhe tal rigidez. Não é sobre se frustrar pelo tempo que passa inevitavelmente, mas sim sobre aprender, como uma eterna criança em desenvolvimento, a encontrar novas formas de desfrutar da vida e enxergar a magia de tudo sem se entristecer pelas limitações. Aceitá-las como uma nova etapa da vida, e não repudiá-las como uma criança birrenta.

O segredo não é lutar contra as limitações, mas aceitar tudo e canalizar essa energia infinita para criar o que é belo e possível.

Permita-se ser essa criança: alegre, brincalhona e mágica. Deixe-a te lembrar do seu poder infinito de brilhar. Ela é a prova viva de que a idade é apenas um número, e o potencial, uma verdade eterna.
Mas não se esqueça que sonhos sem base são apenas delírios, passeios mentais sem foco são apenas escapismos.

“Eu sou o lembrete de que o mágico é possível e que a busca pela alegria é a bússola mais pura.”

Anterior
Anterior

O Curandeiro do Riso

Próximo
Próximo

A Sombra Alada